A Longa Viagem Os sonhos do viajante na busca de novas paisagens, São precedidos de emoções, ansiedade e sensações Que conduzem à formação de imagens fantasiosas Pelos pensamentos carregados de desejos do desconhecido, Numa grande aventura com projeções mentais, Cuja intensidade, depende do valor da situação, do conhecimento, Das dificuldades para se obter o almejado, razão dos desejos incontidos. Quanto mais distante, mais sonhos, mais fantasias, Compensação do esforço desprendido no preparo árduo e longo. São novas terras, novas gentes, costumes, tradições e ilusões, Que surgem como necessidades prementes e incontroláveis. Os perigos surgem como em tudo que é desconhecido, Na razão direta de nossos anseios e medos interiores. É lançar-se muitas vezes, na grande aventura da vida, Onde cada detalhe passa a ser parte do cotidiano viajante. Tudo é bonito por não se estar na realidade dos habitantes, Mas na ilusão criada pelas fantasias que dominam os pensamentos. Como é relativa a realidade das vivências de nossas existências! ! ! Será que não vivemos permanentemente num sonho de viajante Sem nos apercebermos que estamos presos ao passado que vai ficando Quando buscamos as novas e intensas aventuras das novas viagens? Aproveitamos a viagem e desfrutamos das oportunidades novas, Quando nos desligamos temporariamente do passado que foi preparado para uma viagem tranqüila, repousante e compensadora de tantos sonhos. Conforme se vivencia as novas situações sentidas com emoções diferentes Onde, as preocupações estão no passado de locais longínquos. Algo novo vai surgindo e nos reconduzindo aos poucos De volta ao lar, às pessoas que ficaram, enfim, a tudo que possuímos; Surge aos poucos a nostalgia e, a necessidade agora, é de voltar, recomeçar, Trabalhar com afinco e dedicação, por sermos um tanto diferentes Do antigo viajor, cujas experiências se acresceram de novos sentires Novos pensamentos, novos projetos, com outros sonhos mais audazes, Que possam satisfazer desejos agora mais exigentes. Quando regressamos de uma longa viagem onde muito aprendemos, Estamos criando bagagem para novos estímulos numa nova vida, Com possibilidades de crescimento, concretização e novos rumos. Alguma vez, sonhastes com a grande viagem da vida, Nas emoções da morte, condutora para novos destinos Enriquecidos das experiências nas ações do cotidiano, Nas vidas sucessivas, no encadeamento do ir e vir? Pensastes que esta é a grande aventura, na qual, fomos lançados Com o propósito de aprendermos a viajar Até que não mais haja necessidade Da busca de novos horizontes que satisfaçam nossos desejos? É na vivência do cotidiano que encontramos as respostas Quando as ações são praticadas com propósitos definidos, Vislumbrando as paisagens de novas viagens Na experiência de outras que desfrutamos em todo nosso passado. É um encadeamento de fatos nas longas trajetórias das vidas, Verdadeiras viagens com lembranças indefinidas do inconsciente Que coloca um véu nas recordações de nosso passado. Recusamos planejar e sonhar com essa grande viagem, Apegando-nos ao que pensamos possuir e ter aqui e agora. Não nos permitimos planejar e sonhar, com medo das perdas Muitas vezes sentidas como permanentes e definitivas, Sem darmos uma chance a esse grande desconhecido. Vamos viajar num sonho de morte onde a razão Acompanhada de fé nos leva a uma realidade, Onde, o medo se transforma em uma vontade de ação, Onde, a perda é fator secundário por sermos transeuntes Vindos de locais perfeitamente identificados no tempo, Onde estamos seguros pelas posses adquiridas No transcorrer de cada existência e, que agora, percebemos Fazerem parte de uma ilusão dada pela constância dos fatos. Abra a porta e penetre nesse desconhecido maravilhoso, Deixe descortinar paisagens, desejos, afetos, em sentimentos Nunca antes vivenciados, dando vazão à criatividade, Que aos poucos desponta em seu ser liberto de tantas amarras. Caminhe firme e sinta que tudo simplesmente mudou de vibração Dando oportunidades a outras vivências desconhecidas Que agora fazem parte de sua realidade. Sonhe, sonhe sem bloqueios e resistências, Permita que essa realidade permaneça em ti Na volta do sonho dessa realidade, que é a única verdade Da ilusão de sua existência. Sebastião de Melo
A Estrela Cadente Uma estrela brilhante surgiu em meu horizonte, Irradiando luz, calor e vida em todo meu ser; Sua luz intensa, num calor inebriante, Conduzia-nos a viagens pelo universo pessoal, Transformando a vida num paraíso terrestre. As estrelas também são guiadas por forças antagônicas, Verdadeiros monstros destruidores por fixações antigas, Que alimentam a estrutura com ameaças terríveis, Desviando-a de sua órbita atual e trajetória futura. Sei hoje, o que é ser envolvido pelo amor de uma estrela; Sei a intensidade de vida que ela é capaz de despertar; Sei dos milagres que sua natureza provoca e faz; Sei também, que como tudo no universo é relativo e temporal, Minha estrela brilhante, luminosa e cheia de vida, Era uma estrela cadente, que foi levada pelas forças existentes, Destruidoras dos que sonham desfrutar da vida o amor compartilhado. Ela se foi, deixando-me para sempre impregnado pela luz de seu amor, Traçada no céu azul e estrelado de minha solidão. Resta-me o final de uma vivência repleta de lembranças muito vivas. As fortes recordações de um passado muito presente e atuante, Provocam ações criadas por emoções de um sentimento incontrolável, Carregado de intensos desejos de sentir, estar presente e compartilhar. É como se isso ainda fosse possível no rastro de uma estrela cadente. Volte e diga-me: Nós só estamos separados na distância de um tempo ilusório Trazida pelos milênios de vivências intensas e contraditórias nessa teia imensa, Que o destino teceu mostrando-nos no reencontro intenso, mas passageiro, As possibilidades de reflexões nas limitações de nossas atualidades ilusórias, Quando os compromissos falaram mais alto do que os sentimentos vividos, Propiciando uma separação nas razões contraditórias dos medos e apegos, Indicando o quanto nossos caminhos ainda são longos; traçados pela ignorância Que nos escraviza aos conceitos e preconceitos radicados em nossa rede social, Da qual, não nos libertamos, por faltar nela, a liberdade dos realmente guiados Pelo amor, mas o amor que liberta e não o que escraviza e limita nas ilusões Trazidas nas vivências exclusivas dos desejos, que dão os prazeres dos sentidos. Rastrear essa luz é a meta, por saber que nela está o encontro fora do tempo, Limitador de nossas ações reais, no todo universal da verdadeira vida. Não é um adeus, mas um estou aqui e agora e estarei sempre, por crer no amor. Sebastião de Melo
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